19 de abr de 2010

V.O.N.T.A.D.E

Desde a hora que acordei, dona Vontade já se encontrava ao meu lado, se dormimos juntas? Sinceramente eu não sei... Ela me acompanhou, e se fez presente ao longo do meu dia, deu até pra perceber que a própria estava louca pra me colocar numa saia justa! Acabou me deixando na dúvida, eu não sabia se matava, alimentava, ou deixava quieto... até que surge o amigo Orgulho, dando pinta de rival da Vontade, me disse de forma discreta, que eu não fizesse nada que ela mandasse, e ainda na correria, como quem estava de passagem, justificou afirmando, que ela poderia me meter em encrenca... Foi então que decidi não mais ouví-la! Quando a mesma percebeu, me encarou e disse em alto e bom som: “Não tenho prazo de validade, um dia você mata, ou pode até morrer de vontade!”
Ameaça ou desafio? Também não sei...

Pretensiosa... rsrs
Mas nem sequer sabia meu nome, me apresentei; “Prazer, meu nome é Shell, e o sobrenome CORAGEM!”

Shell Pontes.

[...]


É preciso colocar algumas coisas e sensações em segundo plano... Não importar-se com o que os outros acham ou com as expectativas que 'x' ou 'y' colocam em determinadas coisas e situações... Ser diferente dessa falsa burguesia que nos ronda... Construir laços a base de sinceridade, que por fim tenham uma estrutura forte e concreta, onde não seja possível quebrar-se com meras palavras... Agir com cautela, nos momentos mais difíceis ter cuidado, com o que se fala... Temer, mais ao mesmo tempo arriscar... Sentir o sabor da liberdade... Focar-se em objetivos que façam o diferencial... Aventurar-se... Desafiar o perigo... Amar como se fosse a primeira a vez... Sorrir como se fosse a última... Dizer ‘Valeu a pena’... Viver como se nunca fosse morrer...

18 de abr de 2010

O amor é uma merda que acontece!



Quando entregaram o flyer, era só mais um flyer dos tantos que passam pelas mãos da gente no fim do ano. Uns falam de promoções em loja de bijuterias, outros falam sobre as festas mais animadas do fim do ano; geralmente com algum DJ australiano que a gente finge conhecer para parecer entendedor do assunto. Ela era daquelas que nunca percebia que o Dj havia mudado e geralmente se irritava com uma das batidas da musica, ela isolava apenas uma parte das batidas, ficava puta e ia embora.

Por alguma razão, alguém, naquele dia resolveu passar adiante um flyer sobre um cursinho pré-vestibular, desses que tem porcentagens irreais de aprovação e fotos de alguns alunos sorrindo de braços cruzados. Nunca entendi porque os braços cruzados e o sorriso.
Ela amassou e jogou na bolsa.

Ela foi viver a vidinha de sempre, e no outro dia trocou de bolsa. Tinha um encontro, uma reunião e uma entrevista de emprego; para cada ocasião uma bolsa diferente.

Algumas semanas depois ela precisou da bolsa para ir ao shopping para comprar uma nova bolsa para o ano novo. Abriu-a e resolveu fazer uma limpeza. Muitos papéis de doces, embalagens de remédio, cigarros que justificavam os remédios, e no meio de todas essas coisas um papelzinho amassado.

Desamassou, como sempre fazia; via o que era, se decepcionava com o conteúdo, amassava de novo e acendia um cigarro.
Desta vez foi diferente.

Ao abrir o papel ela se deparou com o amor.

Um amor de braços cruzados e um sorriso que ia de um lado a outro do rosto. Um amor de olhinhos apertados, cabelinhos bagunçados e uma inclinação para trás que dizia “eu estou satisfeito”. Acho que é por isso que eles sempre estão com os braços cruzados e um sorriso no rosto: Satisfação!

Ela desamassou o papelzinho freneticamente e olhou e olhou e olhou de novo. Não parecia ser real. Não parecia ser algo possível. Onde ela estava e o que ela estava fazendo no dia que aqueles olhos se uniram aquelas sobrancelhas, com aquele nariz e aquele sorriso enorme? Era lindo. Era vivo. Estava satisfeito com o curso superior que havia escolhido e era a imagem do amor. A imagem retocada e impressa do amor. O amor foi impresso em uma gráfica rápida barata.

O amor esteve em sua bolsa por todo esse tempo.

O cigarro já ia pela metade enquanto ela olhava incrédula. Estava apaixonada.
Nos dias que se seguiram, ela guardou a foto do amor em um cantinho de sua bolsa. Estava se sentindo ridícula com a cabeça enconstada no vidro do ônibus olhando para a foto e pensando nele. Quem seria ele? O que ele fazia da vida? Será que estudava mesmo neste cursinho? Será que estava satisfeito?

Piscou os olhos três vezes e sentiu vergonha. De fato ruborizou. Olhou para a janela e pensou incrédula “devo estar ficando louca”. Pensou novamente a mesma coisa, quando mais adiante viu o amor novamente, desta vez em um outdoor. O amor era gigante e ainda mais bonito a luz do dia.

Louca! Ela estava louca. Um mês se passou e agora o amor estava colado em sua agenda. Ela fez uma moldura com caneta bic; tinha corações e curvinhas.
Ela escreveu embaixo dele “o amor da minha vida”. Inúmeras vezes pensou em se matricular no cursinho pré vestibular e descobrir se ele de fato estudava lá. Havia uma possibilidade. Ela tinha 32 anos e já era pós graduada da área de comunicação. O amor a estava consumindo.

Depois de um mês e duas semanas uma de suas amigas no trabalho comentou que:

1- Ela estava um pouco mais gorda

2 – Suas unhas estavam uma bagunça

3 – Ela parecia cansada

e por fim:

4 – Ela devia arrumar um namorado.
Ao se olhar no espelho ela constatou as quatro afirmações da amiga. Era tudo verdade. Abriu a agenda e deu uma olhada no amor. Sentiu ódio. “você está acabando com a minha vida”, pensou. Fechou a agenda com raiva e abriu a agenda do celular. Era hora de entrar em ação.

Marcou um encontro com um caso antigo que ficara mal resolvido. Bernardo era um cara bonito, gente fina e interessante. Ela simplesmente não conseguia lembrar porque as coisas acabaram tão rápido entre eles. Ligou como quem não quer nada e o chamou para comer sushi disse que deu “saudades”.

Mentira.

O papo como sempre foi legal. Sushis e sakês e os dois estavam soltinhos e flertando um com o outro. As coisas estavam indo bem.

Seja lá quem foi que disse que a melhor coisa para esquecer um amor é um novo amor foi uma pessoa bem estúpida. Amor não é uma coisa que se compra ou que se acha. Amor é uma merda que acontece. Um acidente de trem, uma queda de avião. No fundo ela sabia que estava se esforçando muito.
Mais tarde naquela noite, enquanto Bernardo chupava sua buceta, ela pensava nele. Ela estava triste. Olhava para o teto tentando entender. Depois que Bernardo colocou a camisinha ela se virou de costas “isso sua safada” ele disse.

Ela fechou os olhos e se concentrou em uma imagem.

Envergonhada. Ela basicamente se masturbou, mas ao invés dos dedos ela usou um bom homem. Coitado. Era o fundo do poço e todo mundo sabe que nessas horas ou você fica caído por lá, ou se levanta e faz um esforço para subir de novo.

Ela se levantou cedo e foi em um cursinho pré-vestibular.

Ela riu em algum momento da aula de história quando as pessoas começaram a fazer notas sobre Getulio Vargas. Ela já tinha passado por tudo isso.

E então chegou a hora da verdade: A hora do intervalo.

Ela estava atenta e de óculos escuros. Perambulou por todo o prédio em busca dele. Ele tinha que estar em algum lugar. Neste momento ela não conseguiu acreditar no que estava fazendo e muito menos que chegou a pagar a matricula e o material para o cursinho. Cynthiah a moça que a atendeu perguntou qual o curso que ela queria fazer e ela disse “matemática”. Pensou rápido.

Ela não sabia nada de Matemática.

E então, ela o viu.

O amor era um pouco mais baixo e um pouco mais magro do que ela imaginara, mas o sorriso estava lá. Lindo. De um lado a outro da cara.

O amor estava cercado de amigos e de meninas bonitas.

O amor estava comendo uma coxinha com muito ketchup.
Quando o intervalo acabou e ele saiu batendo nas mãos dos amigos e dizendo “falow véi” algo acalmou em seu coração. Parecia que ela respirava pela primeira vez em dois meses.

Uma das amigas do amor se levantou e ele, prontamente passou a mão em sua bunda, a menina gritou e ele e seus amigos riram alto e se cumprimentaram felizes.

Ela foi na recepção, cancelou a matricula, devolveu o material. Ao ser indagada por Cynthiah sobre os reais motivos da sua desistência ela disse: “O amor é só uma merda que acontece”.

No outro dia ligou pra Bernardo.

Gabrielle Pazos.

17 de abr de 2010

Vida e jogo.


Território marcado, cada um pro seu canto, assumindo suas posições... elas se olham, elas se cruzam, elas se encaram... a partida inicia... o tempo começa a correr... elas se misturam, exploram território, são elas contra elas... de forma sucinta se apresentam, tentam se enganar, se descobrir, cada uma faz seu jogo... a fome pela vitória chega junto, e sem querer saber do como, o que importa é o vencer... entreolhares avançam, calma e cautela, curiosidade e desejo, fúria e ansiedade, frente a frente, se chocam uma na outra... essa é a hora em que se conta, menos uma peça... para uns a perda instiga, para outros desestimula... o ar da virada já lhe falta ou lhe consome... alguém suspira, e o silêncio? predomina... as peças aos poucos vão tomando um rumo, umas trocam de lugar, outras são eliminadas... a hora da vingança até que surge, mas por um vacilo ou outro... lá se vai mais uma, e mais outra... vai ficando difícil seguir em frente, mas desistir também não seria uma boa opção... o jogo fica tenso, o medo se aproxima, a rivalidade toma proporções... a dúvida se encosta num recanto... já não se sabe em que apostar... já não se sabe como apostar... já não se sabe onde se pisa... já não se sabe em quem confiar... o objetivo perde a graça, jánão é mais vencer... e sim, sobreviver... então que fiquem não os que tem as melhores estratégias, mas os que sabem usar das que tem!


Shell Pontes.