8 de ago de 2010

Do Baú Para o Papel

De tanto ouvir falar de alguém sentiu curiosidade de pelo menos ouvir a voz, já que conhecer naquele momento não era possível, tanta coisa contra e mundos tão distantes não poderiam se cruzar, foi então que só restava a ela uma alternativa, pegar o telefone e ligar em confidencial, ouvir a voz que do outro lado dizia alô várias vezes, insistindo uma vez ou outra com a pergunta “quem é?” que tinha como resposta um silêncio.. depois que isso se tornara freqüente a voz passou a levar como brincadeira, e aquele número confidencial se aproximou de forma subjetiva, a ponto de no ápice do desespero procurar aquela voz, a voz que era julgada como rival estava se tornando amiga? Era uma amizade, que dentro de poucas horas, depois de tantas confissões, tantas descobertas, coisas em comum, por fim se abre espaço pra uma revelação:
- Sabe o número confidencial que te ligava?
- Sim, sei.
- Era eu.
Choque, silêncio, surpresa, friozinho na barriga, e do nada ao fundos dos acontecimentos ou daquela chamada, o “número confidencial” começa a tocar violão, que entre notas e acordes disse tudo sem falar nada. A noite passou o dia raio e já estavam envolvidos, parecia que eles se conheciam a anos, era algo forte, rápido e verdadeiro. E numa noite de verão, daqueles que antecede o carnaval decidiram se encontrar, foi nesse encontro que de fato passou a existir um amor, daqueles que poucos têm, daqueles mais raros, daqueles que muitos querem, daqueles que muitas vezes as pessoas passam a vida ao lado de alguém, e não conseguem vivê-lo, é um amor daquele que você sabe que pode até mudar, mas jamais acaba! Tudo foi acontecendo tão rápido, que até a hora de acabar seguiu na mesma velocidade, eles choravam e sorriam, brigavam e se amavam, determinavam algo mas sempre acabavam do mesmo jeito em um mesmo lugar, e com o passar do tempo aceitaram que assim deveria ser, e de fato acabou! Hoje quase nunca se vêem, quando acontece é sempre corrido, se quebra rotina, saem escondido, estabelecem regras como por exemplo: “Nunca passe num ponto de ônibus, quando estiver tentando se esconder de algo ou de alguém”. Fim da linha, frente a frente numa mesa de bar, copos e papos, planos e planos.. e a certeza que de fato o que os une é bem mais forte do que o que os separa, o nome disso é amizade, que está acima de tudo e de todos, independente de qualquer coisa que existiu, que exista, ou que venha a existir ela sempre estará presente. E na tela do computador, em meio a uma tarde chata de domingo eles se falaram novamente, foi quando número confidencial disse: “Melhor abraço do mundo! Obrigada por tudo!” O melhor abraço do mundo respondeu: “Nossos segredos e mistérios são os melhores, mesmo que tenham que ser escondidos por questões éticas!” E do fundo do baú para o papel... joga-se uma lembrança, uma saudade, e a certeza de que valeu a pena!


“No tempo em que eu fazia castelos, no tempo em que eu caçava dragões, no tempo em que escrevia teu nome sem saber nem como te chamar, no tempo em que em mim nascia um sonhos, no tempo em que tudo era tão bom, no tempo em que tudo era distante sem saber nem o dia de chegar, eu andava na carroça do mundo e de outro modo eu via tudo, aliás eu olhava mais fundo nos olhos do meu pai... Gira o mundo, gira a roda, já raio outro dia...”

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